Sede da Copa-2018, São Petersburgo é uma cidade de contrastes

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Palácio de Inverno e estádio Krestovsky representam passado e presente. Oito quilômetros e 101 anos separam dois marcos de São Petersburgo: o Palácio de Inverno e o estádio Krestovsky, a Revolução Russa e a Copa do Mundo. Imponentes, representam passado e presente da segunda cidade-sede mais importante do Mundial. São construções que ajudam a explicar o país antes do comunismo e após a queda do regime.

Oito quilômetros e 101 anos separam dois marcos de São Petersburgo: o Palácio de Inverno e o estádio Krestovsky, a Revolução Russa e a Copa do Mundo. Imponentes, representam passado e presente da segunda cidade-sede mais importante do Mundial. São construções que ajudam a explicar o país antes do comunismo e após a queda do regime.

Às margens do Rio Neva, a casa oficial dos czares está de costas para a ilha de Krestovsky, periferia onde fica o estádio. Por isso, não viu a revolução que culminou na inauguração da arena de um bilhão de dólares, aproximadamente R$ 3,3 bilhões, em 2016, bancada pela iniciativa privada. O antigo estádio de Kirov, para 100 mil pessoas, herança dos tempos da extinta União Soviética, foi simplesmente colocado abaixo para a construção do atual, pertencente ao Zenit.

Para a Copa do Mundo, o gramado do estádio preocupa. Na Copa das Confederações, Cristiano Ronaldo reclamou do campo e ligou o alerta do Comitê Organizador do Mundial. Fora isso, a cidade oferece bons serviços de hospedagem e locomoção — a estação de metrô mais próxima fica a 25 minutos a pé do estádio, mas, durante o Mundial, ônibus gratuitos farão o trajeto.

Tamanho zelo com a mobilidade urbana destoa da indiferença do czarismo. Reza a lenda que uma das principais pontes que ligam a parte continental da cidade à ilha de Vassiliev demorou mais tempo do que o previsto para ficar pronta por ordem do czar. Sua preocupação era que a obra, bem ao lado do Palácio do Inverno, não perturbasse sua família.

Por casos como o da ponte que o Palácio de Inverno conhece bem a vocação russa para rupturas. Durante 185 anos, abrigou a família imperial, mas, em fevereiro de 1917, testemunhou Nicolau II abdicar ao trono sob pressão e abandonar seus 1.500 aposentos. Oito meses depois, foram os bolcheviques que marcharam rumo ao Palácio, então sede do governo provisório. Do alto das 1.945 janelas, presenciou a conclusão da Revolução Russa.

VISITA ALEMÃ

Um século depois, a massa que tomará as ruas de São Petersburgo será de torcedores. Tradicionalmente, é a cidade russa mais procurada pelos turistas, à frente de Moscou, e receberá sete partidas da Copa, incluindo uma semifinal e a disputa do terceiro lugar. De acordo com o Comitê Organizador, cerca de 5 mil brasileiros são esperados na cidade, onde o Brasil enfrentará a Costa Rica, dia 22 de junho.

Outra seleção que deverá atuar no estádio é a alemã. Será o retorno germânico à ex-cidade dos czares em um contexto bem melhor do que o de 1941. Na ocasião, o cerco a Leningrado — nome de São Petersburgo na época — foi uma das passagens mais dramáticas da Segunda Guerra Mundial. Durante dois anos e oito meses, a cidade foi bombardeada por tropas nazistas. Estima-se que dois milhões de russos, entre militares e civis, tenham morrido.

 

Fonte: oglobo

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