Brasil cai no ranking dos mundiais de 2017 em relação à Rio-2016

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Esportes

Dirigente do COB aponta normalidade depois de um ciclo forte. Aposta para os Jogos no Japão passa por novas modalidades.

Em 2017, foram disputadas 1.227 medalhas em campeonatos mundiais de esportes olímpicos. O Brasil é dono de 27 delas e ocupa a 18ª posição do ranking no quadro geral de conquistas internacionais deste ano. O levantamento feito pelo Correio contabiliza todos os pódios, inclusive em provas que não estão incluídas no programa olímpico de Tóquio-2020. Se elas não forem computadas, a queda do Brasil em relação ao ranking dos Jogos Olímpicos Rio-2016 seria ainda maior.

Em comparação àquela competição, o país caiu cinco posições — em 2016, conquistou o 13º lugar geral. Sem as conquistas das provas excluídas do programa do Comitê Olímpico Internacional (COI), o Time Brasil perderia sete medalhas — duas de ouro, duas de prata e três de bronze. O principal exemplo são as vitórias do Mundial de Esportes Aquáticos, realizado em Budapeste, em julho. Os ouros de Ana Marcela e Etiene Medeiros, por exemplo, vieram de provas que não fazem parte das Olimpíadas. Mais casos: na canoagem, Ana Sátila; e no remo, Xavier Vela e Willian Giaretton, subiram ao pódio em modalidades que não estarão em Tóquio-2020. A queda no quadro se junta ao cenário de declínio dos investimentos e patrocínios no esporte após a Rio-2016.

De acordo com o gerente de alto rendimento do Comitê Olímpico do Brasil (COB), Jorge Bichara, o contexto vivido em 2017 era esperado, e, somente nos próximos anos, os efeitos poderão ser notados. “É um momento de bastante apreensão e dificuldade para todos os segmentos da nossa sociedade. Não seria diferente para o esporte”, avalia. No entanto, Bichara acredita que é prematuro analisar, este ano, o cenário para os próximos Jogos Olímpicos. “Não acho que já sentimos esse impacto em relação a um grupo de atletas ou uma modalidade específica.”

Ele explica que 2018 e 2019 são anos- chaves para o ciclo. Na avaliação do gerente de alto rendimento, eles vão dizer qual a capacidade de resultado do Brasil em Tóquio-2020. Mesmo com as adversidades, a principal meta da entidade este ano foi batida. O objetivo era ter medalhistas entre 9 e 12 modalidades em mundiais. Dessa forma, o país alcançou o propósito, uma vez que subiu ao pódio em 10 esportes — alguns em que os brasileiros possuem tradição e outros que fazem parte de uma nova aventura para a nação.

Repetição

Assim como nos Jogos Olímpicos de 2016, vôlei, judô, vela e vôlei de praia trouxeram medalhas em seus respectivos mundiais. O atletismo conquistou um pódio no Mundial de Londres, em agosto, assim como foi no Rio. No ano passado, Thiago Braz conquistou o ouro na prova de salto com vara. Este ano, foi o brasiliense Caio Bonfim que trouxe o bronze para casa na prova de 20km de marcha atlética.

Já a canoagem, que fez sucesso com Isaquias Queiroz na Lagoa Rodrigo de Freitas, também trouxe medalhas nos Mundiais de velocidade e slalom. Isaquias, o maior medalhista do país em uma Olimpíada, ganhou o bronze na prova de C1 1000m, na qual foi prata na Rio-2016. Na modalidade slalom, o Brasil não subiu em nenhum pódio no Rio. Já no Mundial, Ana Sátila, uma das promessas brasileiras, conquistou o bronze na prova de C1, canoa individual, e a prata no K1 extremo.

Grandes expectativas entre os “novinhos”

Para o COB, a mistura das conquistas entre esportes nos quais o país tem tradição e outros menos praticados é um fator positivo. “Era um ano que esperávamos dificuldades. Temos um desgaste e um relaxamento natural e necessário de alguns esportes, mas também vemos um espaço para atletas novos”, destaca Jorge. Ele lembra as que as modalidades incluídas no programa olímpico de Tóquio-2020 são grandes esperanças para que o país mantenha ou aumente o rendimento.

Das cinco “novinhas”, o Brasil apresenta resultados expressivos em três delas. Gabriel Medina, por exemplo, bateu na trave do bicampeonato e ficou com o segundo lugar do Circuito Mundial de Surfe. No skate, Letícia Bufoni, Kelvin Hoefler e Pedro Barros somaram mais três medalhas na conta do Brasil no Mundial deste ano. E no caratê, outro esporte no qual os brasileiros demonstram bons desempenhos em competições internacionais, também é possível alimentar o sonho de medalhas em Tóquio. Mesmo sem um campeonato mundial este ano, nomes nacionais aparecem entre os atletas que estão no topo do ranking mundial. Douglas Brose é o quarto da categoria até 60kg e Valéria Kumizaki, a terceira da categoria até 55kg.

Apesar do otimismo, Jorge explica que é necessário aprofundar o conhecimento nos novos esportes olímpicos. “Saber o formato de competição é importante para avaliar nossa real capacidade de medalhas em Tóquio”. A meta definida até agora para os Jogos Olímpicos de 2020 é conseguir chegar às finais de 20 a 25 modalidades.

Pódios brasileiros em mundiais de 2017

Ouro
Etiene Medeiros (natação, 50m costas)*
Ana Marcela (maratona aquática, 25km)*
Mayra Aguiar (judô, categoria até 78kg)
André e Evandro (vôlei de praia)
Vôlei feminino

Prata
João Gomes (natação, 50m peito)*
Nicholas Santos (natação, 50m borboleta)*
Bruno Fratus (natação, 50m livre)
Revezamento 4x100m livre masculino (natação)
Gabriel Medina (surfe)
Martine Grael e Kahena Kunze (vela, Classe 49er FX)
Vôlei masculino
Judô equipe mista
David Moura (judô, categoria acima dos 100kg)
Letícia Bufoni (skate, categoria street)
Pedro Barros (skate, categoria park)
Ana Sátila (canoagem slalom, K1 extremo)*

Bronze
Ana Marcela (maratona aquática, 10km)
Ana Marcela (maratona aquática, 5km)*
Xavier Vela e Willian Giaretton (remo, categoria LM2)*
Rafael Silva (judô, categoria acima dos 100kg)
Érika Miranda (judô, categoria até 52kg)
Caio Bonfim (marcha atlética, 20km)
Larissa e Talita (vôlei de praia)
Kelvin Hoefler (skate, categoria street)
Isaquias Queiroz (canoagem velocidade, C1 1.000m)
Ana Sátila (canoagem slalom, C1)

*Não é prova olímpica

Os 20 melhores do ano

País Ouro Prata Bronze
1. Estados Unidos 45 41 36
2. China 34 24 25
3. Rússia 33 33 31
4. França 22 6 21
5. Japão 19 14 22
6. Alemanha 19 12 14
7. Reino Unido 16 17 23
8. Coreia do Sul 15 4 17
9. Itália 14 13 23
10. Austrália 13 18 14
11. Hungria 9 13 9
12. Holanda 8 11 9
13. Nova Zelândia 7 7 7
14. República Tcheca 7 6 8
15. Turquia 6 4 3
16. África do Sul 6 3 4
17. Sérvia 6 0 4
18. Brasil 5 12 10
19. Bielorrússia 5 5 11
20. Cuba 5 5 5

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