COI quer proteger atletas de agressões sexuais

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Durante jogos de inverno, a ideia é colocar em prática uma célula para ajudar vítimas de assédio ou abuso.

Coincidindo com as condenações por agressões sexuais de Larry Nassar, ex-médico do time de ginástica dos Estados Unidos, o COI quer colocar em prática uma célula para ajudar as vítimas durante os Jogos Olímpicos de Inverno, que começam nesta sexta-feira.

“Quando começamos este trabalho, era realmente um tema tabu”, explica Susan Greinig, responsável por esta célula do COI e que nega qualquer responsabilidade no escândalo da ginástica norte-americana.

Durante os 15 dias de disputas olímpicas em Pyeongchang, na Coreia do Sul, entre os dias 9 e 25 de fevereiro, quatro locais estarão abertos para dar suporte médico e psicológico às vítimas de assédio ou abuso sexual.

A iniciativa chega depois de Larry Nassar receber três condenações por assédio sexual a jovens ginastas, que somadas chegam a mais de 300 anos de prisão.

Durante os processos contra o ex-médico, dezenas de vítimas prestaram depoimentos sobre as práticas de Nassar, que passaram impunes durante quase duas décadas até as primeiras denúncias em 2016.

Aproximadamente 160 atletas falaram diante do tribunal sobre a maneira como o agressor se escondia atrás da imagem de osteopata “milagreiro”. Nassar exerceu a profissão entre 1994 e 2016 na Federação Americana de Ginástica (USA Gymnastics), no Comitê Olímpico norte-americano (USOC) e na Universidade do Estado de Michigan (MSU).

“Temos que reforçar a tomada de consciência com o objetivo de proteger os atletas e ajudá-los a evitar ou administrar todas as situações”, explicou Susan Greinig.

“As federações podem constatar até que ponto estas práticas podem destruir o esporte. Perdemos atletas talentosos e é um verdadeiro desastre ver como atletas desistem de suas carreiras”, acrescentou Greinig, que trabalha desde 1997 na direção médica do COI.

Concretamente, a célula começa a funcionar para recolher depoimentos de vítimas e oferecer conselhos jurídicos para eventualmente apresentar uma denúncia.

O COI, que também abriu uma linha direta telefônica, pode recorrer a seu departamento jurídico e ético para abrir processos disciplinares contra os autores dos crimes. As sanções podem ir desde uma advertência até a perda da credencial.

Questionada pela AFP em Pyeongchang antes do início da competição, a atleta americana Summer Britcher aplaudiu a decisão do COI em criar a célula.

“O que aconteceu no time de ginástica é horrível. Mas o ponto positivo, se é que posso falar assim, foi a coragem mostrada por estas mulheres para testemunhar. Isto pode dar voz para outras mulheres”, opinou a competidora de luge.

O presidente do COI, Thomas Bach, expressou no domingo apoio moral da entidade às vítimas de Nassar, parabenizando a “coragem das vítimas em prestar depoimento”.

Ao mesmo tempo, questionado se os abusos do ex-médico não poderiam ter sido detectados antes, Bach indicou que o COI não era responsável pela presença do agressor durante os Jogos.

“É uma questão que tem que ser vista com o Comitê Olímpico norte-americano. O COI não nomeia os membros do time olímpico americano, é uma prerrogativa da USOC”, disse o mandatário.

Diante da indignação do caso nos Estados Unidos, vários dirigentes da USA Gymnastics renunciaram, assim como membros da USOC e da Universidade de Michigan abriram investigações internas para esclarecer como o médico poderia atuar desta maneira durante tanto tempo, apesar das denúncias.

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