Cristiano Ronaldo na Juventus provocará greve na Fiat; entenda

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Sindicato diz que ‘não é aceitável” que os trabalhadores continuem a se sacrificar economicamente, enquanto a empresa gasta “milhões de euros com um jogador’.

A conta é simples. A transferência custa € 100 milhões (R$ 452 milhões), mais € 120 milhões (R$ 542 milhões) de salário por quatro anos e mais € 12 milhões (R$ 54 milhões) de comissão. Total: € 232 milhões (R$ 1,04 bilhão). É o que irá custar para levar Cristiano Ronaldo do Real Madrid para o time italiano Juventus. A cifra astronômica não caiu bem para o sindicato dos trabalhadores da fábrica da Fiat, em Melfi, na Itália, que decidiu entrar em guerra contra a fabricante e convocar uma greve de dois dias, entre 15 (próximo domingo) e 17 de julho (terça).

A paralisação, prevista para ocorrer entre as 22h do dia 15 e as 18h do dia 17, foi convocada pelo sindicato Unione Sindicate di Base sob a alegação de que a transferência do atleta, que envolve altos valores, teria sido intermediada pela fabricante de automóveis, patrocinadora do clube.

Num comunicado, a categoria diz que “não é aceitável” que os trabalhadores continuem a se sacrificar economicamente, enquanto a empresa gasta “milhões de euros com um jogador”.

“Dizem que os tempos estão difíceis, que precisamos recorrer a redes de segurança social, à espera do lançamento de novos modelos, que nunca chegam. E enquanto os trabalhadores e suas famílias apertam os cintos cada vez mais, a empresa decide investir muito dinheiro em um único recurso humano! Isso é justo? É normal que uma pessoa ganhe milhões, enquanto milhares de famílias não conseguem nem chegar ao meio do mês?”, diz o comunicado divulgado pela Unione Sindacale di Base.

OS AGNELLI E A FIAT

O presidente da Juventus, Andrea Agnelli, é hoje membro do conselho de diretores da Fiat-Chrysler e é um dos herdeiros do império criado pela famosa montadora italiana, fundada por Giovanni Agnelli, em 1899.

O pai de Andrea, Umberto Agnelli, foi presidente executivo da Fiat entre 1970 e 1976, senador italiano e também já presidiu a Juventus. Antes disso, Gianni Agnelli, irmão de Umberto e neto de Giovanni, chefiou a montadora entre 1966 e 2003, ano de sua morte.

Andrea está na presidência do clube mais popular da Itália desde maio de 2010 e é membro do conselho de diretores da fábrica de automóveis desde maio 2004, assim como tem este mesmo posto na Fiat-Chrysler desde outubro de 2014.

A ligação entre a Juventus e a Fiat-Chrysler é intrínseca. A Jeep, marca de propriedade deste grupo FCA, rende um patrocínio de € 26,5 milhões (R$ 119,7 milhões) anuais ao clube para estampar o seu nome em local nobre do uniforme da equipe de Turim. E as duas empresas têm o mesmo acionista majoritário: a família Agnelli.

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