Clima econômico piora na América Latina e no Mundo

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O Indicador Ifo/FGV de Clima Econômico (ICE) da América Latina — elaborado em parceria entre o instituto alemão Ifo e a Fundação Getúlio Vargas (FGV) — registrou piora pelo segundo trimestre consecutivo, puxado pela queda no Indicador da Situação Atual (ISA), que passou de 47 pontos negativos em abril para 67,3 pontos negativos em julho de 2019, uma diferença de 14,3 pontos. O Indicador das Expectativas (IE) registrou melhora e continua positivo, ao passar de 9,2 para 17,2 pontos entre abril e julho.

A queda do ICE da América Latina foi influenciada pelo cenário internacional, com a volta das tensões associadas à guerra comercial entre a China e os Estados Unidos. O ICE Mundial, que já estava numa zona desfavorável em abril (-2,4 pontos) sofreu nova queda e passou a -10,1 pontos. Essa piora se deve tanto a uma deterioração nas expectativas (-6,1 para -14,7 pontos) entre abril e julho, como a uma reversão no sinal do ISA.

Em abril, o balanço entre respostas positivas e negativas era positivo; em julho ficou negativo em 5,4 pontos. A evolução desfavorável na margem foi corroborada pelo ICE da América Latina, que desde abril de 2013 vem se situando abaixo do ICE Mundial, à exceção de janeiro de 2019.

No mundo

No mundo desenvolvido, o indicador se mantém positivo nos Estados Unidos e na Alemanha, embora recue em julho nos dois países. Chama atenção a Alemanha, que vinha apresentando um ICE superior aos 10 pontos desde janeiro de 2013 e agora registra 3,7 pontos. A queda na produção industrial, com o declínio das exportações para a China, ajuda a explicar esse resultado.

Todos os BRICS estão na zona desfavorável desde a Sondagem de abril, exceto a Índia. A desaceleração do crescimento da indústria indiana, no entanto, levou a uma piora do ICE deste país, que passou para a zona desfavorável, em julho. A expectativa de retração no comércio mundial está entre as principais causas para a piora do clima econômico nas maiores economias do mundo.

Resultados para países selecionados da América Latina

Em julho de 2019, o ICE subiu na Argentina, Bolívia e Chile. Na Argentina e na Bolívia, apesar da melhora, o clima econômico continua desfavorável. O resultado da Argentina foi liderado pela melhora das expectativas na medida em que os índices apontam desaceleração da inflação, embora esta ainda se mantenha elevada (ao redor de 40%). Na Bolívia, houve melhora das avaliações com relação à situação atual e no Chile das expectativas.

No ranking que considera a média dos resultados dos últimos quatro trimestres, o Chile lidera, seguido do Paraguai, Colômbia, Peru e Bolívia. O Brasil, em sexto lugar, é o primeiro do ranking a apresentar um indicador desfavorável.

O Brasil e o mundo

No momento em que as turbulências no cenário mundial ganham relevância. Observa-se que entre julho de 2013 e abril de 2017, a situação atual é desfavorável no mundo e no Brasil, mas os resultados são piores para o Brasil e a distância entre os indicadores aumenta.

Entre abril de 2017 e abril de 2019, o ISA do mundo ficou positivo e o do Brasil sinalizou uma melhora, mas permaneceu na zona negativa. No caso das expectativas, elas são mais instáveis no Brasil do que no mundo. Observa-se que mesmo com as turbulências mundiais que levaram as expectativas mundiais para a zona desfavorável, desde julho de 2018, o IE no Brasil permaneceu positivo. Logo, fatores domésticos teriam relativamente uma maior influência nos indicadores e o impacto das mudanças na economia mundial tenderiam a se manifestar mais tardiamente. Uma das razões seria o baixo grau de abertura da economia para os fluxos de mercadorias e serviços.

Por fim, as expectativas favoráveis desde 2016 não se traduzem em melhoras na avaliação da situação atual, o que indica a importância de ações que permitam impulsos positivos para a economia.

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