Ação desmantela esquema fraudulento na Companhia Energética de Brasília

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Uma operação da Polícia Civil e do Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) cumpriu 19 mandados de prisão temporária e 25 de busca e apreensão na manhã desta quinta-feira (31). As medidas da Operação Apate – nome que faz referência à deusa grega que representa a fraude – ajudam a investigar um grupo de servidores e ex servidores da Companhia Energética de Brasília (CEB) que cobrava propina para fazer instalações irregulares.

Faziam parte da quadrilha, funcionários, terceirizados e autônomos que, segundo as investigações, faziam instalações de medidores em contas irregulares (os chamados gatos), faziam religações para devedores, adulteravam medidores, trocavam a titularidade de contas de grandes devedores e, até, cancelavam dívidas. Tudo mediante pagamentos indevidos.

O diretor da Divisão de Combate ao Crime Organizado (Draco), Adriano Valente, contou que um dos investigados revelou, durante a prisão, que o esquema criminoso funciona há pelo menos 10 anos. O valor do prejuízo ainda não foi calculado, mas as investigações apontam que, apenas com a transferência da titularidade de clientes inadimplente sem quitação do débito, a Ceb deixou de receber R$ 20 milhões em apenas quatro meses.

As prisões

Cerca de 200 policiais civis, com apoio do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado do MPDFT (Gaeco) cumpriram os mandados nas casas dos suspeitos no DF, em Águas Lindas de Goiás e Novo Gama, no Entorno, e na sede da CEB.

Na casa de um dos suspeitos, a polícia encontrou R$ 30 mil atrás de uma geladeira. Ao todo, os policiais apreenderam R$ 86 mil em espécie, cheques e notas promissórias durante a ação. Também foram recolhidos milhares de lacres de medidores da CEB, 113 medidores de energia, uniformes falsos da companhia e uma Toyota Hilux.

A investigação

O caso começou a ser investigado há seis meses, em função da Operação Horus, que investigou o envolvimento de grileiros e policiais militares em vendas de terras públicas no Condomínio Sol Nascente, em Ceilândia. Dados colhidos do celular de um dos presos levaram a indícios das ilegalidades na CEB.

Só no período que durou a investigação, a CEB deixou de receber R$ 600 milhões de clientes inadimplentes.

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