Crise levou 4,5 milhões a mais à extrema pobreza

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A forte crise econômica que atingiu o Brasil nos últimos anos colocou um número recorde de pessoas em situação de desigualdade no país. Em 2018, cerca 13,5 milhões de brasileiros estavam vivendo abaixo da linha da extrema pobreza .

Esse número representa 4,5 milhões a mais que em 2014, quando o país vivia sob os patamares mais baixos de desemprego. É o maior contingente de pessoas nesta condição na série histórica do estudo, iniciada em 2012.

Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), é considerado em situação de extrema pobreza quem dispõe de menos de US$ 1,90 por dia, o que equivale a aproximadamente R$ 145 por mês. Essa linha foi estabelecida pelo Banco Mundial para acompanhar a evolução da pobreza global.

“A pequena melhora no mercado de trabalho não está chegando a essas pessoas, está pegando pessoas já numa faixa (de renda) mais alta. A extrema pobreza cresce”, ressaltou André Simões, gerente da Coordenação de População e Indicadores Sociais do IBGE.

O números de pessoas em extrema pobreza no Brasil é equivalente a 6,5% dos brasileiros e é maior que a população de países como Bolívia, Bélgica, Cuba, Grécia e Portugal. A grande das pessoas em extrema pobreza no país são pretas ou partas, mais da metade delas vive no Nordeste e não tem instrução ou ensino fundamental completo. O Maranhão foi o estado com maior percentual de pessoas com rendimento abaixo da linha de pobreza, (53,0%). Já Santa Catarina, que também é estado menos desigual, apresentou o menor percentual de pobres.

Trabalho
O levantamento do IBGE chamou a atenção para o fato de que o ingresso no mercado de trabalho não garante viver acima da linha de extrema pobreza. Dos 13,5 milhões extremamente pobres no Brasil, 1,8 milhões estavam ocupados no mercado de trabalho em 2018.

E é justamente o mercado de trabalho que explica o aumento da extrema pobreza no país: o instituto apontou que “o dinamismo do mercado de trabalho entre 2012 e 2014 se traduziu em crescimento do rendimento médio do trabalho” – mas o oposto ocorreu a partir de 2015.

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